A produção textual escrita de adultos com dislexia de desenvolvimento

Fabiane Puntel Basso, Graciela Inchausti de Jou, Hosana Alves Gonçalves, Ana Bassôa, Sonia Moojen, Jerusa Fumagalli de Salles

Resumen


Produzir um texto é uma atividade complexa para adultos com dislexia do desenvolvimento, uma vez que envolve funções cognitivas sofisticadas, além das habilidades básicas de escrita. O objetivo deste artigo foi comparar a produção textual escrita de adultos com dislexia do desenvolvimento (n=32) e controles leitores proficientes (n=32). O delineamento foi o de caso-controle. Para cada caso (disléxico) foi selecionado um controle emparelhado por sexo, idade, anos de escolaridade e área de formação (ocupação). Todos os participantes foram instruídos a redigir um texto narrativo autobiográfico com a temática “minha história escolar”. Foram realizadas análises computadorizadas (Coh-Metrix-Port), análise da complexidade estrutural da produção textual escrita a partir de categorização das redações e análise dos erros ortográficos. Os principais resultados evidenciaram que o grupo de adultos com dislexia do desenvolvimento apresentou desempenhos diferenciados do grupo controle, produzindo textos com frases mais longas, utilizando palavras mais curtas, com alta frequência de adjetivos e baixa incidência de sintagma e de ambiguidade de substantivo. A ocorrência de “e” foi a métrica do Coh-Metrix-Port que mais se correlacionou com as habilidades de leitura-escrita, quantidade de erros na produção textual e QI, evidenciando uma dificuldade do grupo de disléxicos de produzir elementos de conexões no texto. Com relação à complexidade estrutural da produção escrita, a maioria dos textos dos disléxicos foi classificada nos níveis II e III (de uma escala de cinco categorias), caracterizando uma redação pouco estruturada. No entanto, os disléxicos que produziram textos bem estruturados e complexos foram os mesmos que cometeram menos erros de notação ortográfica. As falhas ortográficas foram mais numerosas no grupo de disléxicos, revelando a persistência dessa dificuldade na fase adulta. Entretanto, a tipologia desses erros foi semelhante nos dois grupos, com maior representatividade para os erros em acentuação e substituição grafêmica. Os resultados mostraram que algumas dificuldades específicas persistem na idade adulta e diferenciam o grupo de disléxicos do grupo controle. Essas dificuldades microtextuais, como alta incidência de erros ortográficos, de “e”, de adjetivos, podem ser trabalhadas e contempladas nas estratégias de intervenção, contribuindo para a melhoria dos aspectos macrotextuais e, assim, auxiliando na produção de textos estruturalmente mais elaborados.
Palavras-chave: dislexia de desenvolvimento, adulto, produção textual, análises computadorizadas.

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